sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O veneno no pão nosso de cada dia - CONTRA OS PESTICIDAS

Divulgando, ou como diz minha amada Zizi, 'multiplicando'...


O veneno no pão nosso de cada dia: aproveitamos o título da reportagem da revista Caros Amigos deste mês (abaixo) para chamar atenção para a importância de sua manifestação nas consultas públicas sobre a reavaliação toxicológica  de agrotóxicos no Brasil.
 
Como o próprio nome diz, a consulta é pública, aberta a toda a sociedade, não sendo necessário formação específica, vínculo institucional ou qualquer outro requisito. Basta enviar para os contatos abaixo sua posição exigindo do Poder Público seu direito a alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos (algumas organizações já se manifestaram e seus documentos (links abaixo) podem ser aproveitados, se houver interesse).
 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA está propondo o banimento ou a restrição severa de diversos agrotóxicos, baseados em estudos científicos que demonstram seus danos à saúde. É claro que os interesses econômicos em jogo são pesados, e muitos pressionam para impedir que a Agência atue em defesa da saúde da população. Então, para que o interesse da sociedade prevaleça sobre o da indústria, é muito importante que os cidadãos e organizações manifestem apoio à reavaliação e ao banimento desses venenos.
 
IMPORTANTE: O prazo das manifestações às consultas públicas do endosulfan e do acefato se encerra dia 20 de dezembro.
 
Consulta Pública 90 – Fosmete: Inseticida que apresenta características neurotóxicas (danos ao sistema nervoso), sendo capaz de provocar a síndrome intermediária.

Consulta Pública 89 – Metamidofós: Inseticida proibido em diversos países. Apresenta características neurotóxicas, imunotóxicas e provoca toxicidade sobre o sistema endócrino (desregulação hormonal), reprodutor e desenvolvimento embriofetal.
 
Consulta Pública 88 – Triclorfom: Inseticida que apresenta características genotóxicas (alterações genéticas), imunotóxicas, teratogênicas, neurotóxicas, provocando hipoplasia cerebelar, provoca efeitos adversos sobre a reprodução e o sistema endócrino.
 
Consulta Pública 61 – Endossulfam: Acaricida proibido em diversos países. Apresenta características genotóxicas, neurotóxicas, danos ao sistema imunológico e provoca toxicidade endócrina ou alteração hormonal e toxicidade reprodutiva e malformações embriofetais.
 
Consulta Pública 60 – Acefato: Inseticida proibido em diversos países. Possui características genotóxicas, pode causar câncer e leva a distúrbios neuropsiquiátricos e cognitivos (dificuldades de aprendizagem).
 
As manifestações devem ser encaminhadas por escrito para o seguinte endereço:
Agência Nacional de Vigilância Sanitária, SIA, Trecho 5, Area Especial 57, Lote 200, Brasília, DF, CEP 71.205.050 ou Fax: (061)3462-5726 ou E-mail: toxicologia@anvisa.gov.br
Manifestação do Idec: http://pratoslimpos.org.br/?p=601
Manifestação da Terra de Direitos: http://tinyurl.com/terradedireitos
As notas técnicas produzidas pela Anvisa estão na internet: http://tinyurl.com/anvisa
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O veneno no pão nosso de cada dia

Por Tatiana Merlino
 
O Brasil é líder mundial no uso de agrotóxico. As empresas transnacionais comemoram, enquanto o prejuízo fica para os trabalhadores rurais e os consumidores. Fotos Jesus Carlos
 
Do lado esquerdo da estrada de terra vermelha, uma cerca viva impede a visão da fazenda. Do lado direito, é diferente: é possível ver o pomar repleto de árvores de laranja, embora a maioria não dê mais frutos. A época da colheita já passou, foi em agosto. Estamos em outubro. Mais alguns metros percorridos de carro pela estrada da área rural do município de Lucianópolis, interior paulista, ouve-se um som vindo por detrás do pomar. Parece o ronco de um motor. Descemos do carro e cruzamos o limite da fazenda. O som se aproxima. Primeiro quarteirão, nada, segundo, terceiro, quarto. Lá pelo quinto quarteirão de árvores o barulho fica forte e avistamos o trator vermelho,
pilotado por um homem que pulveriza um produto no laranjal. É Luiz Andrade de Souza, que trabalha e mora com a família na fazenda. Ele trabalha sem nenhum Equipamento de Proteção Individual – EPI, dispositivo exigido pela legislação do Ministério do Trabalho para a aplicação de defensivos agrícolas.
 
Luiz Andrade é uma vítima potencial de problemas de saúde decorrentes da manipulação dos agrotóxicos. De acordo com dados divulgados no começo de novembro pelo Censo Agropecuário 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve, em 2006, pelo menos 25.008 casos de intoxicação de agricultores. Os dados também indicam que herbicidas, fungicidas e inseticidas foram usados em 1,396 milhão de fazendas.
 
A pesquisa mostra que mais de 1,5 milhão, das 5,2 milhões de propriedades rurais do país, utiliza agrotóxicos. E que 56% destas não recebem orientação técnica. A aplicação manual dos venenos, por meio do pulverizador costal – que é o equipamento que apresenta maior potencial de exposição aos agrotóxicos – é a mais utilizada, presente
em 70,7% dos estabelecimentos agrícolas que fazem uso de algum tipo de defensivo. O Censo aponta também que 20% (296 mil) destas propriedades não utilizam proteção  individual. O Rio Grande do Sul é o Estado que mais aplica agrotóxicos, com 273 mil propriedades.
 
Campeão mundial
Tal cenário é do país que, em 2008, foi “consagrado” com o título de campeão mundial de uso de agrotóxicos. Foram 673.862 toneladas de defensivos, o equivalente a cerca de 4 quilos por habitante. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Defesa Vegetal (Sindag), o faturamento da indústria química no ano passado no Brasil foi de
US$ 7,125 bilhões, valor superior aos US$ 6,6 bilhões do mesmo setor dos Estados Unidos. Atreladas ao tamanho da área plantada, as maiores aplicações se deram nas culturas de soja, milho, cana-de-açúcar, algodão e cítricos.
 
De acordo com Gabriel Fernandes, da organização não governamental Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), tais números deveriam servir “como um grande sinal de alerta que indica a falência do modelo agrícola das monoculturas. Quanto mais veneno se usa, maior será o desequilíbrio ambiental. E quanto maior o desequilíbrio ambiental, mais veneno se usa”.
 
As consequências do uso dos agrotóxicos são inúmeras: coloca-se a saúde dos trabalhadores e consumidores em risco, e se contaminam o solo e a água. No caso da saúde dos trabalhadores, os riscos variam de acordo com tempo e dose da exposição a diferentes produtos. Assim, os efeitos podem ser agudos ou crônicos. O principal efeito agudo são intoxicações, dores de cabeça, alergias, náuseas e vômitos. “Dependendo do tempo de exposição, pode haver uma intoxicação aguda completamente reversível, mas também pode haver efeitos subagudos que deixarão lesões neurológicas periféricas que podem comprometer tanto a parte da sensibilidade quanto a parte motora”, explica a médica Raquel Rigotto, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).
 
De acordo com ela, os efeitos crônicos são mais difíceis de se identificar porque podem ser atribuídos a outros quadros clínicos, “mas vão desde infertilidade masculina, má formação congênita, abortamento precoce, recém-nascido com baixo peso, cânceres – especialmente os linfomas –, leucemias, doenças hepáticas crônicas, alterações do sistema imunológico, possibilidade de mutagênese – que é a indução de mudanças genéticas que vão resultar em processos de cânceres ou em filhos com má formação congênita –, problemas de pele e respiratórios, até praticamente todas as doenças neurológicas, tanto centrais quanto periféricas. É um amplo leque de patologias”, explica.
 
Dor de cabeça, olhos ardendo
Quem tem como rotina receber denúncias de trabalhadores reclamando de problemas de saúde decorrentes do manuseio de agrotóxicos é Abel Barreto, presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Duartina, cidade paulista localizada na região de Bauru. “Temos muita reclamação de gente que vai trabalhar na laranja e se sente mal. Eles ligam e dizem: ‘Estamos aqui trabalhando na laranja e o trator está na rua de cima passando veneno’. A maioria fala em dor de cabeça e ardor nos olhos”, relata.
 
Um dos casos que chegou ao sindicato de Duartina foi o das trabalhadoras Lindalva Zulian, de 38 anos, Rosimeire de Araujo, de 35, e Janaína Silva, de 25. As três trabalhavam numa fazenda de laranja no setor de inspeção, buscando localizar as plantas doentes para serem eliminadas.
 
Nascida em Duartina, Lindalva morou em São Paulo por muitos anos. Mas, nos últimos cinco, trabalhava em fazendas de laranja, alternando as funções de colheita e inspeção. O emprego, no entanto, rendeu-lhe problemas de saúde. Durante uma manhã do mês de junho deste ano, Lindalva e suas colegas faziam inspeção numa fazenda de laranja na
cidade paulista de Espírito Santo do Turvo, quando o trator que aplica veneno passou pulverizando a mesma quadra onde as mulheres trabalhavam. “Eu comecei a ter tontura, dor de cabeça, ânsia de vomito. Comecei a chorar de tanta dor. As outras também começaram a vomitar”. Depois de muita insistência, o funcionário da fazenda atendeu o pedido de levar as mulheres ao hospital. “A dor de cabeça era demais, muita ânsia de vomito, o nariz e a boca queimavam por dentro. Falta de ar, não conseguíamos respirar. Na hora, o médico disse: ‘tira essa roupa, toma um banho, nem eu estou aguentando
o cheiro de vocês’. A gente estava toda envenenada”. As mulheres ficaram três dias internadas, e, quando tiveram alta, foram dispensadas pela fazenda. “O médico falou que a gente tinha que fazer tratamento, que não podia voltar a trabalhar onde tinha veneno dentro de três meses”.
 
Desde então, Lindalva está sem trabalhar. “Não posso mais com o cheiro de veneno. Qualquer coisa já começa a me queimar o nariz, me dá tontura e a cabeça começa a doer. O médico disse que a gente pode ter sintoma dentro de vários anos, que pode aparecer algum tipo de doença porque fica tudo no sangue. A gente não sentiu só o cheiro, a gente inalou mesmo”.
 
Assim como Lindalva, Rosemeire também não voltou a trabalhar. “Não quero nem ver laranja”, diz. Já Janaína voltou para a colheita. “Não tem jeito, tenho que trabalhar. Mas até hoje eu sinto muita dor nos olhos. Nossa, quando eu forço a vista, dói para caramba”, diz, tentando segurar seu filho, que brinca com o gravador da reportagem.
 
Lista negra
Apesar de terem denunciado o caso, que está sendo investigado pelo Ministério Público, as mulheres estavam receosas de dar entrevista e serem perseguidas depois. “O medo é de entrar para a ‘lista negra’ das fazendas e nunca mais conseguirem emprego”, relata Abel Barreto, presidente do sindicato de Duartina. Segundo ele, a região é dominada por Cutrale, Coimbra, Citrosuco e Citrovita, as quatro maiores empresas do setor de citricultura. “Se você for nas fazendas dessas empresas, vai ver todo mundo com equipamento de proteção. O problema é que a precariedade está nas fazendas que fornecem laranja para elas. Essa é a maneira de se isentarem de ficar com o nome sujo”, alerta.
 
O sindicalista aponta que uma das dificuldades para sistematizar as denúncias de intoxicação por agrotóxicos ocorre porque, quando as empresas têm equipe médica na fazenda, “muitas vezes os profissionais escondem os exames dos trabalhadores, dão um atestado de um dia quando deviam dar de dois”, explica. “E mesmo alguns médicos da cidade cedem à pressão das fazendas e amenizam os problemas, argumentando com a gente que as empresas são responsáveis por milhares de empregos”, relata.
 
Estudos relacionados aos impactos do manuseio dos agrotóxicos por trabalhadores indicam que mesmo com a utilização dos equipamentos de proteção individual, a aplicação não é segura. “Além do EPI, há uma série de outras exigências que qualificam aquilo que se chama de ‘uso seguro de agrotóxicos’, mesmo que eu esteja falando isso com várias aspas de cada lado, porque eu não acredito nessa possibilidade”, explica Raquel. Um dos pré-requisitos é o respeito ao que se chama de “período de reentrada” após a aplicação do veneno, quando ninguém pode ingressar na área. “Para alguns venenos, o tempo é de três horas; para outros, são sete dias, isso varia. E quando a gente pergunta aos trabalhadores como se trabalha com esse período, que é uma exigência da legislação trabalhista, eles dizem que isso não é respeitado pelas empresas”.
 
Além disso, segundo a médica, a segurança dos equipamentos de proteção individual é muito relativa. “Eles são muito desconfortáveis e, quanto mais baratos, mais mal acabados. Incomodam, espetam, arranham. Nos climas quentes, são ainda mais difíceis de usar. É também muito complicado para as indústrias estabelecerem o ritmo correto da troca dos filtros das máscaras”, avalia. Outro problema recorrente é a absorção dos produtos pela pele: “O uniforme fica encharcado de agrotóxicos. E, em vez de ser levado para a casa do trabalhador e lavado junto com a roupa da família, como acontece muitas vezes, ele deveria ser lavado pela empresa. A família corre grandes riscos de ficar contaminada. Essa proposta do uso seguro é muito relativa”, alerta Raquel.
 
Exemplo dos limites do “uso seguro” dos agrotóxicos é o trabalhador Paulo Sérgio, morador de Duartina. Aos 37 anos, muitos de corte da cana e cinco de colheita de laranja, ele teve uma experiência complicada recentemente. Contratado pela empresa de laranja Coimbra para aplicar defensivos agrícolas, no terceiro dia de trabalho, ao aplicar o veneno Temic, Paulo passou mal. “Eu estava com todos os EPIs”. Mesmo assim, os equipamentos não impediram que o trabalhador sentisse muita ânsia de vômito, aumento da salivação e dor de cabeça. “Passei no médico e ele disse que eu estava intoxicado”, conta.
 
Tatiana Merlino é jornalista
tatianamerlino@carosamigos.com.br

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

PIZZA ORGÂNICA EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, EBAAAAAA !!!!

Destaque na região, pizza orgânica agrega saúde e valores sustentáveis
03/12/2009 - 17h05 (Deniele Simões)
Imagem(s): Lucas Lacaz Ruiz / A13


Cardápio é elaborado com produtos orgânicos, livres de agrotóxicos e conservantes


Farinha integral e sal marinho. Esses são os ingredientes básicos de uma massa de pizza orgânica servida em São José dos Campos. Exclusividade na região, a iguaria tem a vantagem de ser confeccionada à base de produtos orgânicos, sem uso de agrotóxicos ou conservantes.

“É tudo natural”, explica o chef Alexandre Zanella, proprietário do Quiosque Philosofy, restaurante especializado em alimentação orgânica em São José e pioneiro na região.

Aberto há pouco mais de oito meses, o restaurante trabalha o conceito de alimentação orgânica como forma de preservação não só à saúde, como ao meio ambiente, agregando valores aos produtos comercializados.

“Começamos como um café estilo europeu, depois passamos a abrir para o almoço, fomos incrementando o cardápio e conseguimos conquistar nosso público na região”, conta Zanella.

Massa da pizza é confeccionada com farinha integral orgânica


Para montar o negócio, Zanella se utilizou do know how adquirido em três anos como chef de cuisine em Londres e como proprietário de um quiosque em Florianópolis (SC).

A ideia de se especializar apenas em orgânicos está relacionada aos valores que esse tipo de produto agrega. De acordo com o chef, os alimentos orgânicos geram uma espécie de ciclo que movimenta a comunidade local.

Além da isenção de agrotóxicos, os alimentos usados no cardápio são produzidos na própria região, contribuindo para a redução dos gases de efeito estufa gerados pelo transporte da produção.

Parte dos alimentos é produzida em duas hortas que ficam em um sítio no distrito de São Francisco Xavier. A produção de frango também é artesanal e isenta de hormônios e outros componentes químicos. Os produtos também vêm de fornecedores da cidade de Monteiro Lobato,que fica próxima a São José.

Sabores e texturas


Dados da Fundação Agricultura & Ecologia da Alemanha (SOEL) apontam que a produção de orgânicos tem crescido a cada ano no país.

A tendência observada fez aumentar não só o número de produtos orgânicos nas feiras livres como também nas gôndolas dos supermercados, em função dos valores agregados, que vão desde o bem-estar para o consumidor, passando pelo gosto apurado e pelos benefícios ao meio ambiente.

Molho é fabricado com tomates orgânicos


Zanella destaca que o sabor e a textura dos orgânicos realmente fazem diferença para quem come, principalmente quando a pessoa já está acostumada a esse tipo de produto. As raízes como a batata, por exemplo, são mais tenras. Já produtos como brócoles e couve-flor são mais firmes.

Pizza orgânica


Com preço médio de R$ 30, a pizza orgânica com massa integral é confeccionada à base produtos naturais e tem várias opções de sabores.

Nesta quinta-feira (3), a partir das 19 horas, acontecerá um happy hour especial com a iguaria no cardápio, que poderá ser conferida nas versões franco com parmesão, shitake com mussarela de búfala, vegetariana, ou de acordo com a preferência do freguês.

O happy hour terá ainda apresentação musical de Tiago Vianna (violão instrumental), Regina Sacilloto (viola) e Caniba (gaita e flauta).

Com relação às bebidas alcoólicas orgânicas, elas ainda não foram totalmente incorporadas ao cardápio do quiosque, mas a intenção é implementar a novidade em breve.

Por enquanto, a casa trabalha com licores de limão siciliano e laranja, produzidos na comunidade de São Francisco Xavier, mas em breve deverá começar a trabalhar com cervejas artesanais.

O quiosque Philosofy fica no bairro Jardim Maringá, em São José. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (12) 3322-4692.

 
 

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Corantes e Aditivos Químicos x DDAH e Autismo


As matérias são de 2007, mas vale a pena reproduzí-las aqui...

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Corantes podem causar hiperatividade em crianças, diz estudo
06/09/2007 - 9h22m

Uma pesquisa feita pela Universidade de Southampton, na Inglaterra, concluiu q corantes e conservantes encontrados em alimentos infantis e refrigerantes podem ser relacionados a hiperatividade e distúrbios de concentração em crianças.

O estudo - encomendado pela Food Standards Agency, a Vigilância Sanitária da Grã-Bretanha, e publicado na revista científica Lancet - oferecia três tipos diferentes de bebidas a um grupo de 300 crianças de 3, 8 e 9 anos de idade.

Uma das bebidas continha uma forte mistura de corantes e conservantes, outra tinha a quantidade média de aditivos que as crianças ingerem por dia, e a última era um placebo, sem nenhum aditivo.

Os níveis de hiperatividade foram medidos antes e depois de as crianças beberem um dos líquidos aleatoriamente.

O grupo q ingeriu a mistura A, com alto nível de aditivos, teve "efeitos adversos significativos" em comparação com o q bebeu o placebo.

O pesquisador responsável pelo estudo, Jim Stevenson, defendeu que algumas misturas de corantes artificiais e benzoato de sódio, um conservante usado em sorvetes e doces, estavam ligadas a um aumento de hiperatividade.

"No entanto, os pais não devem achar q é possível prevenir problemas de hiperatividade completamente apenas retirando esses aditivos da comida", explicou ele. "Sabemos q há muitos outros fatores nessa questão, mas pelo menos este (a ingestão de aditivos) é um q a criança pode evitar."

Entre 5% e 10% das crianças em idade escolar sofrem algum tipo de desordem de atenção, com sintomas como impulsividade, dificuldade de concentração e atividade excessiva.

Mais meninos que meninas são diagnosticados com o problema e as crianças afetadas pela condição geralmente tem dificuldades acadêmicas, com um desempenho fraco na escola.

Médicos dizem que fatores como a genética, o nascimento prematuro, o ambiente e a criação também podem ser associados à hiperatividade. 

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Conservante artificial usado em refrigerante aumenta a hiperatividade nas crianças
06/09/2007 - 12:55:02

Estudo mostra que entre as substâncias prejudiciais estão conservantes utilizado em refrigerantes como Pepsi, Fanta e Sprite e corantes artificiais presentes em muitas balas e doces


Os corantes e aditivos artificiais utilizados normalmente em produtos alimentícios infantis exacerbam a hiperatividade nas crianças, inclusive naquelas que não sofrem do transtorno, segundo um artigo publicado hoje na revista médica "The Lancet".

Um grupo de cientistas da Universidade de Southampton (sul da Inglaterra) estudou os efeitos dos aditivos nas alterações do comportamento infantil em um grupo de quase 300 crianças - 153 delas de 3 anos e outras 144 de 8 e 9 anos.

As crianças receberam em alguns casos duas misturas de bebidas diferentes que incluíam diferentes aditivos e em outros, um placebo.

Entre as substâncias estão o conservante benzoato de sódio (E211), utilizado em refrigerantes como "Pepsi Max", "Fanta" e "Sprite", e os corantes artificiais E110, E102, E122, E124, E129 e E104, presentes em muitas balas e doces consumidos diariamente pelas crianças britânicas.

O E110, por exemplo, é utilizado no salgadinho "Doritos" e o E122 na "Fanta".

Essa não foi a primeira pesquisa a estabelecer ligação entre os aditivos e a hiperatividade nas crianças, mas desta vez foram estudados maiores de três anos e nem todos sofriam com o transtorno de conduta.

Os especialistas detectaram indícios de hiperatividade nas crianças que tinham consumido as bebidas que incluíam aditivos, como um comportamento inquieto, perda de concentração, incapacidade para brincar com só um brinquedo ou completar uma tarefa e passaram a falar muito.

A mistura A, que incluía maiores níveis de aditivos, causou "significativos efeitos adversos" em todas as crianças de três anos, que, no entanto, reagiram de forma mais variável à mistura B, que continha a média diária de aditivos consumidos pelas crianças britânicas.

As crianças mais velhas mostraram um significativo efeito adverso quando tomavam uma ou outra combinação.

A Agência de Controle Alimentício britânica (FSA, na sigla em inglês) rejeitou os apelos à proibição desses aditivos, mas fez uma advertência aos pais sobre os riscos desses ingredientes se seus filhos mostrarem indícios de hiperatividade.

A FSA assegura que cabe às autoridades da União Européia legislar sobre os aditivos.

Na apresentação dos resultados do relatório, o diretor da pesquisa, Jim Stevenson, considerou que poderiam ser tomadas medidas rápidas contra os corantes artificiais, mas que levaria mais tempo para eliminar o uso do benzoato de sódio como conservante.

O negócio mundial de aditivos está avaliado em mais de US$ 25 bilhões anuais, segundo o jornal britânico "The Guardian".

 Agência EFE

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Audiência Pública em Brasília - Pelos direitos dos AUTISTAS

COMISSÕES / Direitos Humanos - 24/11/2009 - 15h18
Especialistas pedem mais investimento público no tratamento do autismo
[Foto]
Matéria retificada em 25/11/2009 às 12h50

Ao afirmarem que autismo tem recuperação, participantes de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) exigiram políticas públicas direcionadas ao problema e mais investimentos em pesquisa para diagnosticar a doença de forma precoce.

A coordenadora de política mental do Ministério da Saúde, Cristina Hoffman, afirmou que o assunto é uma das prioridades da pasta. Ela destacou que o transtorno deve ser tratado com atendimento integral e de forma multidisciplinar e individualizada. Também o acompanhamento da família, destacou, é importante para garantir o sucesso do tratamento e a recuperação da criança autista.

Também na avaliação da diretora presidente da Associação em Defesa do Autista (Adefa), Julceli Antunes, é necessário envolvimento de profissionais das áreas de saúde e educação - como médicos, nutricionistas e educadores - para tratar pessoas com autismo. 

A Biomédica e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense, Mariel Mendes, apresentou informações sobre a  teoria de que crianças sensíveis podem desenvolver o autismo em razão de alergia a açúcar, glúten ou por intoxicação com algumas substâncias encontradas em alimentos industrializados.

Nos Estados Unidos e na Europa, informou a psicóloga Sandra Cerqueira, os portadores de autismo têm sido recuperados com resultados rápidos e eficientes. Ela também enfatizou que é possível reverter uma situação de autismo com o tratamento adequado que envolve, segundo a psicóloga, terapia comportamental aliada à dieta alimentar e tratamento biomédico.

- Quando falamos em cura somos apedrejados, porque "isso não existe, não é possível". Mas eu quero aqui ser apedrejada porque se esse for o preço que eu preciso pagar para dizer a vocês, aos senadores e às autoridades (que há cura para o autismo) não quero deixar passar a oportunidade - afirmou a psicóloga Sandra Cerqueira, que desafiou os presentes a ver a terapia que ela vem aplicando para comprovar o que diz.

Berenice Piana de Piana, que representou as mães de autistas, informou que, atualmente, nos Estados Unidos, há uma criança autista para cada 90 nascimentos. No Brasil, ressaltou, não há estatísticas sobre o número de pessoas nessa condição.

- Os números apontam que algo grave está acontecendo. Que geração teremos? Uma geração de autistas. Sempre perguntam que planeta deixaremos para nossas crianças, mas pergunto que crianças deixaremos para o nosso planeta - ao afirmar que o número de portadores do transtorno está aumentando.

Incompetência

A diretora do Movimento Orgulho Autista do Brasil, Maria Lúcia Gonçalves, informou que há poucos profissionais competentes no Brasil para diagnosticar autismo precocemente. Como exemplo de tal carência, ela informou que, no Brasil, há três psiquiatras para cada 100 mil pessoas com menos de 20 anos e com transtornos severos.

O militar Ulisses da Costa Batista, pai de um menino autista, cobrou do Estado diagnóstico precoce para que os pediatras possam detectar o autismo precocemente e seja possível iniciar o tratamento ainda em bebês.


Iranice do Nascimento Pinto, representante da Associação de Pais e Amigos de Pessoas Autistas Mão Amiga, disse que, na maioria das vezes, as crianças autistas são cuidadas pelas mães. Em caso de morte da mãe, alertou, essas crianças sofrem por não saberem se comunicar com outras pessoas e por não haver, em âmbito público, profissionais especializados para cuidar delas.

- É uma sentença para os pais saber que o filho é autista e que não há tratamento na rede pública - disse o deputado estadual do Rio de Janeiro Audir Santana.

Projeto

As entidades vão apresentar projeto de lei à CDH com as reivindicações dessa parcela da população. O senador Paulo Paim (PT-RS) disse que vai pedir ao presidente do colegiado, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), a relatoria da matéria. Paim também prometeu levar a proposta à Câmara dos Deputados, Casa na qual tramita o Estatuto da Pessoa com Deficiência (PL 3638/00), de autoria de Paim, para que os deputados incluam as necessidades dos autistas no projeto.

O debate foi uma iniciativa do vice-presidente da comissão, senador Paulo Paim. A audiência, que emocionou os presentes, teve início com Saulo Pereira, autista de 25 anos, cantando Ave Maria, e foi encerrada com O Sole Mio e Quem Sabe? Pereira também toca piano e fala Inglês, alemão e italiano.

Participaram da audiência pública entidades dos estados de Alagoas, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Amazonas, Goiás e Santa Catarina.

Iara Farias Borges / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=97671&codAplicativo=2 

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Os amigos que estiveram presentes comentaram:

"Compuseram a mesa o senador Paulo Paim, ladeado pela Julceli representando a Adefa, a Berenice, tb da Adefa representando as mães, a presidente da entidade Mão Amiga, Iranice, uma pesquisadora biomédica, mestranda da Universidade Federal Fluminense, uma assistente social  que trabalha na Baixada Fluminense com crianças vítimas de violência, e o nosso conhecido Ulisses, militar e pai de autista. 

A Sessão teve início com o tenor autista e deficiente visual Saulo Laucas, do RJ, cantando Ave Maria,  fantástico! A seguir, todos fizeram suas exposições e apresentações, muito esclarecedoras cada um na sua área. Ainda foram autorizados a usar a palavra a psicóloga Sandra, tia de autista e dona da Metamorfose, primeira escola no Brasil para autistas e TID com um foco muito interessante, inclusive com a dieta SGSC e que segundo ela tem tido resultados muito promissores; a representante da AMA da Bahia, uma grande batalhadora pela causa do autista em seu estado chamada Rita Valéria, um pai e uma avó do Distrito Federal representando entidades locais, o pai do Saulo Laucas que emocionou a todos, pois Saulo é um estudioso de línguas, domina 4 diferentes idiomas e sabe tudo sobre a reforma ortográfica brasileira, e um jovem de 15 anos do DF chamado Augusto, com Sindrome de Aspenger, um rapaz superdotado que deu seu depoimento ingênuo sobre sua experiência escolar e sua ânsia de estar sempre aprendendo mais e mais. Também fizeram uso da palavra o Presidente da Associação Brasileira de Autismo, uma instituição que parece ter sido criada e ainda funciona pelo que entendi no Amazonas, e o deputado estadual Audir Santana do RJ, que presidiu a sessão da Alerj no RJ, no último dia 17/11/09.

Foi segundo o Senador, a audiência pública mais emocionante que ele participou em seus mais de 20 anos como parlamentar. Pode parecer até palavra de político, mas eu acredito que ele foi sincero pois não teve quem não se emocionasse. Tivemos pais e mães de vários estados brasileiros: Alagoas, Amazonas,  Bahia, Brasília, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e... não  me lembro mais de nenhum...

Precisamos saber quando  esta sessão exibida pela tv Senado que gravou tudo.


O Senador  se comprometeu a receber um projeto de lei elaborado pelas instituições envolvidas com a causa para que o mesmo  fosse um encaminhamento supra partidário, do qual ele seria o relator e praticamente garantiu na comissão dos direitos humanos , não entendo bem a dinâmica da casa,  aprovaria por unanimidade e encaminharia para a plenária.

Vamos aguardar que bons tempos venham para as nossas crianças autistas brasileiras,  pois como disse sabiamente  a Berenice, quando se é mãe de uma criança autista,  acabamos nos tornando mães de todos os autistas, pois nossa preocupação passa a ser não só com a nossa criança, mas com todas aquelas que encontramos com as mesmas dificuldades que enfrentamos.

É muito difícil transmitir emoção, por isso espero ter rapidamente relatado um pouco do que vivemos nesse 24/11 em Brasília. Um dia para guardar pra sempre na memória.

Rita Maura Boarin - mãe da Nicole 4 anos e 4 meses
Anápolis / GO
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"Pessoal,

Estive ontem na audiência em Brasília, desculpe não escrever antes, pois estava exausta, cheguei em São Paulo depois da 12:00 horas e passei o dia pondo as coisas em ordem.

Como a Rita já disse, foi muito, muito emocionante. Cada depoimento, cada relato, cada vídeo fazia brotar em todos rios de lágrimas. Não precisa dizer que chorei o tempo todo!!!

Quero parabenizar a associação ADEFA do Rio de Janeiro e dizer que todos estão de parabéns pela organização e luta. Sou de São Paulo e não conheco as pessoas pelo nome, mas posso dizer que o Ulisses é um homem de valor e que possui luz própria, qualquer palavra que disser dele será redundante. Não poderia deixar de mencionar outras pessoas que também marcaram este acontecimento, a Berenice, a Sandra, a Presidente da ADEFA, a representante da AMA da Bahia (pessoa maravilhosa e encantadora) que deixaram seu brilho em nossos corações. Demais, pais, avós, tios, irmãos que estavam presentes e coloriram aquela comissão com sua garra e força. É claro não poderia deixar de mencionar o Saulo, que nos encantou com sua voz e sua trajetória de vida. AH! o Luiz (irmão das gêmeas, nossas companheiras) é uma graça, ganhei um beijo dele. É um guerreiro, pois aguentou quatro horas de sessão! Um fofo!. Parabéns à famíllia pela vida dele. Outros autistas estavam presentes também.

o Senador Paulo Paim ficou muito sensibilizado com a nossa causa e dirigiu a sessão de forma humana e respeitável, dando a palavra a todos que quiseram expor sua trajetória. Foi um debate muito aberto e justo.

Acho importante relatar que o Ministério da Saúde mandou uma representante para acompanhar a audiência. Ela anotou tudo o que foi dito (sentou-se ao meu lado, pensei que era uma mãe, e só no final fiquei sabendo quem era). É claro que tentou dizer que algumas coisas já estavam sendo feitas, mas reconheceu a incapacidade do governo em solucionar o problema.

Foi dado um passo muito importante para a luta e reconhecimento de que é preciso que as autoridade façam alguma coisa. Nos foi dado um espaço para discussão e exposição de nossos problemas. É um marco histórico, com certeza. As associações presentes ficaram de encaminhar um projeto de lei para o Senador Paulo Paim apresentar na comissão de Direitos Humanos do Senado.

Contudo, quero fazer uma pequena reflexão a respeito, sei que o que vou falar é muito técnico e muitos não entenderão, mas acho que é relevante.

Sou profissional da área e sei que apenas uma lei não resolve o problema. Há inúmeras leis sem qualquer eficácia, ou seja, elas não são postas em prática por absoluta impossibilidade, quer porque esbarram na compatibilidade com a Constituição (famosa inconstitucionalidade), quer porque são vagas e dependem de decretos e regulamentação que nunca é feita ou simplesmente porque apenas declaram direitos, sem estabelecer a forma de exercê-los.

Então, ao que parece, não estou bem certa porque não participei da elaboração da pauta de reivindicação, nosso pleito não se limita a eventual declaração de direitos, já que a maioria deles estão estampados no próprio texto constitucional (como direito a saude, educação, igualdade, etc...). Queremos a implantação de uma política pública de tratamento do autismo. Isto implica, necessariamente, criação de órgãos na administração, Centros de tratamento, orçamento para pesquisa, acompanhamento familiar, adaptação de curriculo e formas de avaliação diferenciada, fomentar a formação de profissionais na área da saúde capazes de realizarem o diagnóstico precoce, publicidade em massa (a ser feita pelo governo) do que é o autismo e que é tratavél. Enfim, muitas reivindicações que implicam em DESPESAS ORÇAMENTÁRIAS. Por isso, eventual projeto de lei que implique em despesas deve ser de iniciativa do CHEFE DO PODER EXECUTIVO (União, Estados e Municípios) - artigo 61 da Constituição Federal, sob pena de ser declarado inconstitucional por vício de iniciativa. E ai não tem jeito mesmo, é inconstitucional e pronto, mesmo que seja uma lei justa, necessária, humana e imprescindível. Não há perdão para o vício da inconstitucionalidade.
Por isso, acho que nossa jornada somente começou e, para não morrer em nada, temos que URGENTE, conseguir uma audiência, com nada mais que nada menos com o Presidente da República. Não sei como fazer isso. Acho que é uma tarefa para o Ulisses (não fique bravo comigo) ou para quem conseguiu o contato com o Senador Paulo Paim.

Gente, este é um entendimento meu, que sou do ramo e de meu esposo. Acho que precisamos conversar com outras pessoas que possuem entendimento e perguntar a opinião deles.

Sei que é complicado, mas não quero apenas uma lei para pendurar na parede. Acho que todos querem uma lei que tenha o mínimo de eficácia, capaz de modificar a vida de muitas pessoas.

Fiquei com o e-mail do advogado que está redigindo o projeto de lei, vou entrar em contato com ele. Por favor, se alguém tem contato com a direção da ADEFA e puder passar este e-mail eu agradeço.

Acho que já falei bastante. É um assunto chato, direito, leis...

Vou passar este email para todos os grupos que faço parte.

Abraços

Nara "
 

domingo, 22 de novembro de 2009

Sobre o funcionamento da tireoide

Minha irmã SUSAN me enviou este artigo por e-mail... achei muito interessante e quero dividir a informação com vcs... basta clicar no link: 

ALIMENTOS QUE FAZEM A TIREOIDE TRABALHAR MAIS (e você perder peso)

A matéria está no site da revista VIVA SAÚDE... 


domingo, 8 de novembro de 2009

Leite A e alergias...

Mais um ótimo artigo que lí no site da Pat Feldman e quero dividir com todos, especialmente para os que fazem a dieta SGSC (sem gluten e sem caseína), explica muita coisa... 



O Leite A2
(Chutando o Balde)
José Luiz Moreira Garcia



Não é novidade para ninguém a informação que o leite de vaca esteja causando alergia às pessoas. Não estou falando de intolerância a lactose (o açúcar do leite) por falta de lactase (a enzima que digere a lactose), pois esse é um fator mais ligado à herança genética, mas sim de alergia propriamente dita, ou seja, uma reação imunológica gerada pelo nosso corpo às proteínas do leite.

Para explicar esse fenômeno, o que não faltam são “profetas de plantão”, geralmente oriundos das escolas e vertentes de pensamento naturebas, com explicações do tipo: ‘o homem é o único animal no mundo que toma leite na idade adulta’. Essa frase, dita e repetida “ad nauseum” por “gurus” nutricionais e até mesmo por alguns médicos desavisados, soa bastante verossímil.

Essa explicação, aparentemente correta, sempre desafiou a minha modesta inteligência. Explico-me: Como descendente direto de ibéricos, sou geneticamente equipado para desconfiar de tudo e de todos. O “Hay gobierno? Soy contra!” está intimamente amalgamado no meu DNA.

Decidi estudar o leite de vaca na evolução da espécie humana. Decidi também estudar a veracidade da afirmação natureba. Logo de cara, descobri que o homem é o único animal de toma leite na idade adulta por ser dotado de livre arbítrio.

Descobri que até mesmo pássaros, cães, gatos e o próprio gado, tomariam alegremente o leite de vaca, se o leite fosse oferecido a eles. Hipótese cada vez mais remota na prática, com o preço do leite nos patamares atuais.

A razão do bezerro não tomar leite de vaca após uma certa idade é que, em um determinado ponto, a vaca, sabiamente, dá um “basta!”, não mais permitindo ao seu rebento esse privilégio, a fim de que o mesmo passe a se alimentar por si próprio de capim, o alimento preferencial para o qual o gado bovino está geneticamente aparelhado para garantir a sua subsistência. Nesse momento a vaca sabiamente passa a hostilizar a própria cria, pois irá necessitar de toda a sua energia para gerar a próxima cria. É apenas mais uma faceta da natureza sábia.

Descobri, igualmente, que o homem toma leite de vacas há mais de 10.000 anos e que nunca teve problemas de alergia nos últimos 9.900 anos. Descobri também, que o leite de vaca foi fundamental para o desenvolvimento da própria espécie humana, tirando dos homens parte do trabalho diário de obter alimentos, quer pela caça quer pela coleta de alimentos.

O que estaria acontecendo hoje em dia, então ?



A resposta pode estar em uma descoberta recente da ciência. Pesquisadores descobriram que todas as mamíferas-fêmeas, incluindo a mulher, cabra, égua, camela, etc… produzem, no leite, uma proteína denominada Beta caseina A2, mas que, há aproximados 10.000 anos atrás, algumas vacas sofreram uma mutação genética e passaram a produzir também uma proteína denominada Beta Caseína A1. A única diferença entre as duas proteínas é apenas um aminoácido na 67ª posição entre 203 aminoácidos que compõem as duas proteínas. A Beta Caseína A1 possui um aminoácido histidina, enquanto que a Beta Caseína A2 tem uma prolina na 67ª posição.

Entra uma histidina no lugar de uma prolina, e como a natureza é caprichosa, essa aparente pequena diferença faz com que a proteína seja clivada (quebrada) nessa posição, dando origem a um peptídeo (parte de proteína) denominado “Beta Caseomorfina A7“, por apresentar uma estrutura química semelhante à morfina.

É criado no estomago, por meio da digestão do leite, um opiáceo.

Segundo vários autores, a Beta Caseína A1 e seus peptídeos, principalmente a Beta Caseomorfina 7, estariam implicadas em uma serie de reações alérgicas.

Estudos europeus demonstraram estar esse peptídeo associado a casos de autismo, morte súbita e diabetes tipo-1 em crianças; e problemas coronarianos, problemas neurológicos e colesterol elevado em adultos.
Esse fato fez com que os pesquisadores estudassem todas as raças bovinas e descobrissem quais as que produziam maior quantidade de Beta Caseína A1 e A2.

Uma pesquisa genética de nossos patrícios da USP de São Carlos demonstrou que todas as raças zebuínas ainda produzem leite A2 na sua quase totalidade (números bem próximos a 100%), não tendo sido afetadas por aquela mutação genética. Ponto para os criadores de Gado Gir Leiteiro. Além das características já conhecidas de rusticidade e resistência a parasitos externos, aparece agora mais essa vantagem, o leite do Gir é não-alergênico.

Nas raças taurinas (européias), apenas a raça Guernsey, que já foi a raça leiteira mais criada no Brasil e infelizmente quase se extinguiu devido a vários fatores, e que agora está retornando e aumentando em nível mundial, produz exclusivamente o Leite A2, ficando a raça Jersey em segundo lugar com 7% de leite A2 e 25% de leite A1 alergênico e a raça holandesa com 50% de leite A1 e 50% de leite A2.

Como em todas as descobertas científicas que colocam em cheque o sistema estabelecido, essas descobertas também são e continuarão sendo, por um bom tempo, combatidas pelos cientistas de aluguel, mídia de aluguel e finalmente por políticos/legisladores de aluguel, vendidos aos interesses econômicos contrariados. A título de ilustração, vejam o que está acontecendo com a idéia que propõe a utilização de sacolas de supermercados feitas com material biodegradável e vejam os argumentos usados pela industria de plástico poluente para a manutenção da sua sobrevivência.

Uma outra hipótese nos chama a atenção para o manejo e a alimentação das vacas leiteiras nos últimos 60 a 70 anos. A bem da verdade, é bom que se diga que as vacas leiteiras evoluíram comendo capim. São seres pastejadores herbívoros. Deveriam, portanto, se alimentar preferencialmente de capim. Certo?

Errado! As vacas leiteiras, hoje em dia, comem quase tudo menos capim.

Vejam abaixo, alguns exemplos de componentes da dieta exótica das vacas leiteiras nos últimos 70 anos:

- Esterco de galinha (proibido mas ainda utilizado na clandestinidade no Brasil)
- Caroço de Algodão
- Polpa de Laranja (sub-produto industrial)
- Farelo de Soja
- Uréia, Sulfato de Amônio ( derivados de petróleo)
- Farinha de Carne ( hoje proibida)
- Farinha de Penas ( hoje proibida)
Finalmente, após todo esse cardápio indigesto, vocês não ficariam surpresos se eu lhes contasse que 80% de todo o Bicarbonato de Sódio produzido nos EUA sejam utilizados na alimentação de vacas de leite.
Haja indigestão! Haja Bicarbonato de Sódio !!!!

O homem descobriu um atalho para a pobreza dos nossos solos, e ao invés de fertilizá-los, prefere dar aos animais diretamente os sais que, na verdade, deveriam ser utilizados como adubos de solo.
Se as duas hipóteses estiverem corretas, qual seria a vaca que, teoricamente, produziria o leite mais alergênico?

Exatamente a vaca holandesa que produz mais proteína A1, e é alimentada com as dietas exóticas utilizadas nas fazendas-fábricas, dietas estas que são preconizadas pelo status-quo técnico-científico do chamado agro-negócio, que insiste em tentar reduzir todas as tarefas biológicas a meros produtores de moeda corrente, sem levar em consideração as necessidades fisiológicas de cada espécie animal, isto é, uma dieta altamente acidificante e geradora de problemas já bastante conhecidos de todos os criadores de gado leiteiro, a saber, laminite, indigestão, empanzinamento, abomaso desalojado, baixa longevidade etc…
Também, não poderiam ficar surpresos se eu lhes disse-se que a média de lactações de uma vaca nos Estados Unidos, a Meca do conhecimento científico e onde todos os técnicos e cientistas brasileiros se espelham, é de apenas 1,8 lactações ou até menos. Não é para menos.

Mas, afinal, quem se importa?

O Status Quo acadêmico-científico nos diz o que é certo e o que é errado, e o que conta no fim do dia é produzir mais leite, não importando as conseqüências.

Entretanto, vamos admitir por um átimo de tempo, que ambas as hipóteses poderão estar corretas. A Nova Zelândia já se adiantou a registrar o nome “A2 Milk”, e está certificando laticínios ou fazendas que trabalhem exclusivamente com Leite A2 determinado por meio de exame de DNA dos animais do rebanho e normas de manejo que contemplem o livre acesso dos animais ao pasto, luz solar e ar livre dos animais em lactação.

No mundo todo, consumidores conscientes estão demandando alimentos cada vez mais produzidos de forma ecologicamente correta. Um leite produzido em fazendas-fábricas de gado holandês criado em confinamento (também ironicamente chamado de Free-stall), recebendo dieta exótica e acidificante, que produz leite alergênico, não é propriamente o que se pode chamar de “ecológico” e nem de “correto”, ou até mesmo de “salutar”.

- ‘Asneira ! Nonsense!’, irão protestar o sistema e as autoridades constituídas.

Bem, o tempo dirá quem está realmente com a razão.

De minha parte, posso garantir que estou trabalhando para ter o meu leite de vacas Guernsey, Jersey e Gir ou giradas, que comam preferencialmente pasto ou feno produzidos em solos remineralizados, com altos teores de fósforo, cálcio, magnésio e potássio e com teores expressivos de ferro, manganês, zinco, cobre, boro, cobalto e molibdênio, e com uma microbiologia ativa para garantir um bom suprimento de húmus, o qual irá se contrapor às secas e estiagens, cada vez mais freqüentes, e gerar plantas mais sadias e nutritivas.

Talvez um dia, quem sabe, algum consumidor mais exigente irá dar valor ao meu produto. Antes tarde do que nunca !
São Paulo, 10 de outubro de 2007,
José Luiz Moreira Garcia


O Autor é formado em Agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e tem Mestrado em Bioquímica e Fisiologia de Plantas pela Michigan State University. Também é criador de Gado Guernsey e Jersey no Sul de Minas.

(Esse artigo tem permitida sua divulgação na íntegra.)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Escolhendo subir a pé... ao invés da escada-rolante !!!

A ação, feita em conjunto pela agência de publicidade DDB e pela Volkswagen, foi implantada em um metrô de Estocolmo, na Suécia.



Imagine que você está descendo as escadas do metrô, como faz habitualmente todos os dias, e começa a ouvir sons de piano, tocados em ritmo que vai de acordo com os seu passos. Essa foi a proposta da agência de publicidade DDB em uma parceria com a Volkswagen.

As duas empresas se reuniram para criar um experimento chamado, Fun Theory (algo como "teoria divertida", em inglês), uma tentativa bem ambiciosa de tentar mudar os hábitos sedentários dos moradores da capital da Suécia, Estocolmo.

Para isso, transformaram as escadas de uma estação de metrô em um piano, o que aumentou surpreendentemente o uso das escadas em 66%. O resultado você confere no vídeo. 


sábado, 24 de outubro de 2009

Ômega 3 para a depressão

Ômega 3 é um remédio natural para a depressão, diz especialista

12/08/2004 - Programa Globo Repórter, da Rede Globo


O psiquiatra francês David Servan-Schereiber escreveu um livro que ficou famoso no mundo todo. Ele é um dos maiores defensores dos métodos naturais no tratamento da depressão. Reconhece que, se para algumas pessoas em crise grave, os antidepressivos químicos são indispensáveis, nem sempre são recomendados para todos os casos.

“Acho que foram a descoberta mais importante do século 20 na medicina. Mas o que é insano, desequilibrado, é o número de pessoas tomando esses remédios. Especialmente quando sabemos que há métodos naturais de tratamento que são eficazes, eles podem curar os sintomas”, diz o psiquiatra.

Ele lembra que de 30% a 50% das pessoas que param de tomar remédios antidepressivos têm uma recaída em um ano. Portanto, a cura não é garantida. Em alguns casos, os métodos naturais podem ser aliados poderosos, principalmente quando a causa é a pressão da vida moderna.

“Você não pode evitar o estresse, é parte da vida. O que você pode evitar é a sua reação ao estresse. Você pode aprender como controlar sua fisiologia, por exemplo, com métodos, alguns dos quais bem antigos. Ioga, por exemplo, existe há 5 mil anos. Você controla sua atenção e respira, controla sua fisiologia”, orienta David Servan-Schereiber.

É sabido há muito tempo que existe uma relação entre saúde e os alimentos que ingerimos. Nos últimos anos isso tem sido comprovado cientificamente. Mas, e no caso da depressão? Será que ela é uma doença que pode ser tratada e prevenida com a ajuda de determinados alimentos?

O especialista em nutrição Silvio Laganá não tem dúvidas. Para ele, o Omega 3 – uma gordura encontrada em peixes, nas nozes, no agrião, no espinafre – é um remédio natural para a depressão.

“O espinafre é a maior fonte vegetal do Omega 3 em folhas verdes, junto com o agrião”, revela o nutrólogo.

A ação do Omega 3 nos neurônios, as nossas células nervosas, explica os benefícios.

“O Omega 3 faz com que a membrana celular que reveste os neurônios tenha fluidez, ela não deixa endurecer essa membrana. No caso das gorduras saturadas – as gorduras da carne, do leite e dos queijos –, ela favorece o endurecimento dessa membrana. Não é bom, ela vai dificultar a passagem de informação através do neurotransmissor, que fica bloqueada, e isso pode favorecer a depressão”, explica o especialista.

Alguns peixes estão no alto da lista dos alimentos campeões em Omega 3.

“O melhor é cavala, que tem uma concentração grande de Omega 3. E é um peixe barato também. A sardinha vem em último lugar, mas com preço bastante conveniente. Ela é rica em cálcio, que é um mineral bastante importante para a saúde humana. A anchova também é rica em Omega 3. É um peixe um pouco mais caro, mas com um sabor bastante peculiar, que agrada muitas pessoas”, diz o nutrólogo.

A linhaça, um grão pouco conhecido do brasileiro, é outra fonte importante de Omega 3.

“A linhaça é um dos nutrientes mais antigos conhecidos como benéficos para a saúde humana. Você joga na boca e saliva. Pode tomar um copinho d’água para ajudar a engolir. Duas colheres de sopa de linhaça por dia oferecem uma concentração excelente de Omega 3, que vai ajudar o funcionamento intestinal e favorecer não ter depressão”, afirma o especialista.

Uma cápsula de óleo de linhaça depois das refeições e uma nova dieta alimentar mudaram a vida da professora de matemática Ana Lúcia de Moraes. Dois anos de tratamento e os sintomas de depressão que estavam acabando com ela sumiram.

“Eu era muito agitada, a minha ansiedade estava sempre lá em cima. Então, isso estava me prejudicando até profissionalmente no meu dia-a-dia. Eu resolvi procurar a ajuda de um nutrólogo”, diz a professora.

Na alimentação, entraram o peixe, as saladas, as nozes. Saíram a gordura e os doces. E foi com sacrifício, ela admite, que cortou algo que de gosta muito. “O chocolate faz bastante falta. Mas eu sou firme, não como mais”, garante Ana Lúcia.





(Informações do Globo Repórter, exibido no dia 12/08/2004, na Rede Globo)

Leituras RECOMENDADAS - Pesquisas Científicas

  • Substância cancerígena tem atuação desvendada
    Estudo revela processo por meio do qual a aflatoxina causa câncer de fígado em humanos. Substância é produzida por alguns tipos de fungos em nozes e sementes oleaginosas (22/10/2009)




    Recorrência detectada
    Pesquisadores desenvolvem exame capaz de diagnosticar a recorrência de câncer de próstata anos antes do que testes convencionais (20/10/2009)




    Por dentro da alfabetização
    Estudo com ex-guerrilheiros alfabetizados quando adultos revela como a estrutura do cérebro se altera após a aprendizagem da leitura (15/10/2009)




    Deficiência de vitamina D e hipertensão
    Estudo feito nos Estados Unidos indica que carência de vitamina D em mulheres na pré-menopausa pode aumentar o risco de desenvolver hipertensão (9/10/2009)




    Mutação exposta
    Pesquisadores identificam mutação genética responsável pela imunodeficiência combinada grave, doença caracterizada por problemas como infecções graves na pele, asma e até câncer (8/10/2009)




    Relação de peso
    Estudo apresentado na Europa indica que, em um ano, pelo menos 124 mil novos casos de câncer podem ter sido causados no continente pelo excesso de peso (6/10/2009)




    Sinal de perigo
    Estudo indica que um em oito casos de AVC é precedido por um pequeno golpe de aviso. Pessoas que experimentaram ataque isquiêmico transitório devem procurar um hospital imediatamente (30/9/2009)

     

    Prevendo o imprevisível
    Em análise sobre a correspondência humana, cientistas encontram padrões universais que regulam tanto a troca de cartas escritas como a de e-mails e sugerem que outras ações humanas podem ser modeladas na forma de sistemas complexos (25/9/2009)

    Limites da Terra
    Cientistas estipulam valores máximos para a ação do homem de modo a evitar consequências catastróficas. Em alguns itens, como perda da biodiversidade e mudanças climáticas, os limites já eram (24/9/2009)




    Cérebro infantil e epilepsia
    Estudo publicado na Nature Medicine identifica relação entre interrupção no desenvolvimento cerebral na infância e manifestação de problemas como epilepsia, autismo e dificuldades de aprendizagem (24/8/2009)




    Açúcar e câncer
    Estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences destaca relação entre glicose e desenvolvimento de tumores (18/8/2009)




    Escuro e depressão
    Estudo verifica que falta de luz solar está associada à redução de funções cognitivas entre pessoas com depressão (29/7/2009)

    Mapa de Down
    Grupo internacional monta mapa que identifica regiões genéticas que seriam responsáveis por causar sintomas da síndrome (14/7/2009)




    Café contra Alzheimer
    Estudos em camundongos indicam que ingestão de cafeína reduz níveis anormais de placas amilóides no cérebro, características da doença (6/7/2009)




    Raízes da esquizofrenia
    Três estudos publicados na Nature identificam variações genéticas ligadas ao desenvolvimento da doença e descobrem semelhanças com transtorno bipolar (2/7/2009)


     



    BOA LEITURA... E DEPOIS VOLTE PARA COMENTAR !!!













sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Carência de Vitamina D


Pesquisas feitas na USP identificam altos índices de deficiência de
vitamina D na população geral, mesmo entre os mais jovens.
Carência tem sido associada ao maior risco de contrair
diversas doenças (USAD)




Carência tropical

21/10/2009 - Por Alex Sander Alcântara


Agência FAPESP – Ao investigar a carência de vitamina D em moradores da cidade de São Paulo, uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com o Hospital Universitário, verificou que 77,4% dos analisados apresentavam o problema.

Participaram 603 voluntários (118 homens e 485 mulheres) no estudo cujo objetivo foi estabelecer quais fatores estão associados à hipovitaminose D no organismo. A média registrada da vitamina foi de 21,4 ng/ml, bem abaixo da recomendada, que é de 30 ng/ml. A análise foi feita no fim do inverno, após um período em que a exposição à luz solar é menor.

Meses depois, no fim do verão, retornaram para coleta de sangue 219 voluntários, dos quais 39 homens e 180 mulheres. Apesar da maior exposição à luz solar, e da consequente sintetização da vitamina no organismo, a pesquisa identificou a deficiência da vitamina D em 39,6% dos analisados.

Apesar da redução, segundo Rosa Maria Affonso Moysés, médica e pesquisadora do Hospital das Clínicas da FMUSP e coordenadora do estudo, o número ainda foi muito elevado, considerando a latitude em que São Paulo se encontra e a comparação com cidades do hemisfério Norte.

“Estamos em uma área subtropical e, por conta disso, imaginávamos que a exposição solar fosse suficiente para que não houvesse um número tão elevado de hipovitaminose”, disse.

O estudo, intitulado “Determinação de níveis séricos de vitamina D em uma amostra de indivíduos saudáveis da população brasileira”, teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e foi concluído este ano. Rosa coordena outros três projetos na mesma modalidade, iniciados em 2008 e 2009.

A seleção dos voluntários incluiu pacientes de rotina do Hospital das Clínicas, funcionários da USP que realizam o exame médico anual e estudantes com idades entre 18 a 30 anos.

“Os critérios de inclusão foram extremamente rígidos. Os pacientes não podiam ter doença renal ou cardíaca. O máximo que poderiam ter era diabetes e hipertensão controladas, ou seja, tratavam-se de pessoas estáveis do ponto de vista clínico”, disse à Agência FAPESP.

O estudo apontou condições associadas à maior prevalência de hipovitaminose D, como idade, presença de hipertensão arterial, maior índice de massa corporal e cor de pele negra. “Também chamou a atenção que quanto mais idoso maior a prevalência. Mas, mesmo entre os jovens, até 30 anos, o índice foi muito elevado”, disse.


Pouco sol


Outro estudo, feito na Faculdade de Saúde Pública da USP, verificou a insuficiência da vitamina D entre os jovens. O trabalho foi feito por Bárbara Santarosa Emo Peters e orientado pela professora Lígia Araújo Martini, com apoio da FAPESP na modalidade Bolsa de Doutorado.

O estudo avaliou a quantidade de vitamina D em 136 adolescentes em Indaiatuba, interior de São Paulo, e constatou que 62% tinham insuficiência da vitamina.

Cerca de 90% da absorção da vitamina D se dá pela exposição à luz solar, com o restante sendo resultado da alimentação. Segundo o estudo, nenhum dos jovens que participou da pesquisa ingeria a quantidade recomendada de vitamina D. Alimentos como salmão, sardinha, leite(*) e derivados (somente os integrais) possuem a vitamina. (* Esta informação diz respeito aos EUA, pois lá existe a adição de Vitamina D ao leite)

Por meio das entrevistas com os participantes, Bárbara percebeu que muitos não tomavam café da manhã para poder dormir um pouco mais antes de ir à escola. Quem tomava café da manhã todo dia ingeria quase o dobro de vitamina D do que quem não tomava. Os adolescentes que praticavam esportes ao ar livre também apresentaram maiores níveis da vitamina.

O estudo de Bárbara foi premiado no 8º Congresso Iberoamericano de Osteologia e Metabolismo Mineral e ganhou o Young Investigator Award do The American Society for Bone and Mineral Research.


Problemas renais


Rosa Moysés lembra que portadores de doença renal apresentam prevalência alta de deficiência da vitamina D. Na nefrologia existe até mesmo uma área específica que estuda o metabolismo mineral nos indivíduos com problemas renais.

“Por conta disso, resolvemos ampliar o estudo para pessoas consideradas saudáveis e observamos que a deficiência entre os portadores de doença renal já não é muito diferente da observada na população em geral”, disse.

Outro resultado importante é que os voluntários com hipovitaminose apresentavam maiores níveis de paratormônio, hormônio responsável pela regulação dos níveis de cálcio no organismo.

De acordo com a nefrologista, o alto índice desse hormônio é uma resposta à diminuição dos níveis de vitamina D. Todas as vezes que os níveis de cálcio caem há maior secreção de paratormônio.

“Os efeitos dessa elevação a longo prazo não são totalmente conhecidos, mas pode haver um risco maior de desenvolvimento de osteoporose e de doenças cardiovasculares. Esses achados estão previamente associados ao que chamamos de hiperparatireoidismo secundário”, apontou.


Reposição


Diversos estudos recentes têm associado a deficiência da vitamina D a riscos de doenças, como hipertensão, gripe ou cardiovasculares.

Uma das pesquisas, apresentada em setembro na 63ª Conferência de Pesquisa em Pressão Alta da Associação Norte-Americana do Coração, apontou que mulheres em pré-menopausa com insuficiência da vitamina em 1993 apresentaram risco três vezes maior de desenvolver hipertensão arterial sistólica 15 anos depois, em comparação com aquelas que tinham níveis normais.

Por conta disso Rosa lembra que em alguns países, como Noruega, Finlândia, Dinamarca e Suécia, a reposição da vitamina D se tornou comum. “Se fizermos um estudo comparativo, certamente não vamos encontrar uma hipovitaminose tão alta quanto a nossa nesses países, porque já é parte da cultura deles usarem alimentos ricos em vitamina D ou suplementos”, disse.

A pesquisadora conta que os dados da pesquisa estão sendo concluídos para publicação em revista. Diante dos resultados obtidos, o Departamento de Clínica Médica da FMUSP pretende fazer um estudo mais amplo, acompanhando os voluntários por um período maior e envolvendo outras áreas médicas para estudar os vários aspectos da deficiência da vitamina D.

“Os resultados serão encaminhados para órgãos públicos para avaliação e eventual desenvolvimento de políticas públicas de suplementação ou fortificação alimentar com vitamina D, principalmente nas populações de risco, como idosos, obesos, não brancos e hipertensos”, adiantou Rosa.


Obs.: Vale a pena tb ler os artigos sobre: hipertensão, gripe ou cardiovasculares.